Didática e Currículo

No decorrer da historia educacional brasileira muitos foram os encontros e desencontros entre currículo e didática, de forma que, em muitos momentos, as duas áreas estavam tão próximas que podiam ser confundidas como uma só área. Entretanto, em outros momentos estavam tão distantes que nem pareciam tratar do mesmo assunto: o processo de ensino. No entanto, os limites entre as duas disciplinas são tênues e facilmente transponíveis, visto que o ensino só se efetiva com base em um currículo e este só se materializa no memento do ensino.
O presente texto pretende fazer uma síntese da história de ambas as áreas, no Brasil, no período de 1940 até os dias atuais.
 
A questão da didática de ensino só começou a preocupar os educadores brasileiros a partir da década de 1940, devido à grande influência francesa na legislação de ensino, a qual deixava para o professor a escolha de "como ensinar" (didática), além de estabelecer uma clara determinação dos conteúdos (currículo).
No entanto, a partir da década de 1960, o panorama educacional brasileiro foi tomado pelo pragmatismo americano. Daí, então, houve uma redução dos conteúdos escolares e um aumento de liberdade na organização das propostas curriculares das escolas e sistemas educacionais fazendo com que os educadores do país dessem mais atenção ao currículo.
Nos anos 70, a tendência curricular predominante separou os temas referentes ao currículo (conteúdos do ensino) dos relativos ao ensino propriamente dito (atividade da prática). Fazendo com que a didática se ocupasse do método, ou seja, a discussão sobre o que ensinar centrado na tradição anglo-saxônica.
Já na década de 1980, as fortes críticas aos objetivos, conteúdos e até mesmo a identidade de ambas as áreas (currículo e didática), fez com que as pedagogias criticas da época propusessem a construção de um novo projeto de educação escolar, no qual haveria maior diálogo entre curriculistas e especialistas em didática. Além disso, era visível a preocupação com aspectos relacionados à sociologia do currículo tais como: as relações entre ideologia, poder, currículo oculto e currículo em uso.
 
Nos anos 90, apesar do desenvolvimento das teorias sobre currículo e do foco sobre o conhecimento escolar, o distanciamento entre teoria e prática, ainda era muito visível, fato que marcou o panorama educacional da época. Alguns estudiosos do campo estavam convictos de que a sofisticação teórica não fora suficiente para construir um ensino de qualidade no país.
 
Outro fator que contribui para o distanciamento entre as duas áreas é o fato de o currículo não ser planejado pelas escolas, o que torna os educadores apenas transmissores de conhecimentos elaborados, contribuindo para manter currículo e ensino divorciados da realidade sócio-econômica e política. Dessa forma o ensino resume-se em "dar" o conteúdo e o educador restringe-se a "passar" esse conteúdo de forma acrítica, e assim, perpetuando a realidade social vigente e aumentando as desigualdades sociais.
 
O pensamento curricular, atual, passou a interessar-se pelo modo como o projeto educativo se realiza nas aulas, agregando, então a dimensão dinâmica de sua realização. De forma que, se a didática precisa se ocupar de questões relacionadas ao conteúdo e os estudos de currículo se estendem até a prática, está­-se diante, de campos superpostos, coincidentes em seus objetos, mesmo que sejam provenientes de âmbitos culturais distintos.
 
No entanto, não se pode negar que tanto o currículo quanto à didática têm objetivos bem delineados, pois o primeiro ocupa-se predominantemente das questões relacionadas à seleção e organização do conhecimento escolar, e a segunda prioriza o ensino como seu objeto de estudo. Mesmo assim, alguns estudiosos - por entenderem que qualquer um deles (currículo e didática) podem ser entendidos como mais abrangente que o outro - defendem a unificação de ambas as área de modo que o currículo, por envolver estudos da prática pedagógica, englobaria discussões sobre o ensino e, conseqüentemente a didática. Ou a didática, por estudar o ensino como um todo, no qual está presente a questão dos conteúdos escolares, poderia incluir o campo do currículo em seu seio.
 
Portanto, a escola precisa de uma nova organização de forma que não haja separação entre teoria e prática. Para isso, é necessário romper com o paradigma conservador, no qual uma minoria pensa e uma maioria executa. Além de construir uma maior interação entre curriculistas e especialistas em didática. E dessa forma, poder-se-á resolver o problema do distanciamento entre a produção teórica e a realidade vivida no cotidiano escolar.
 
Referências
Oliveira, Ma Rita. N.S (org.). Confluências ente didática e currículo. Campinas, SP: Papirus, 1998. p. 33 - 52.
Veiga. lima e CARDOSO, Ma H. (org.). Escola Fundamental: currículo e ensino. Campinas, SP: Papirus, 1995. p. 77 - 94.

Sobre o Autor

foto Everton Alves

Formação Acadêmica: Licenciatura em Matemática e faço Especialização em Educação Matemática ambos pela UEFS.

Outros Conhecimentos: Entendo um pouco de HTML, CSS, PHP (Codeigniter e wordpress) e MYSQL.

Outros: Sou funcionário público e nas horas vagas me dedico à programação. Programo em PHP desde 2008.

Plavras-chave: didatica, curriculo, matematica, educacao, ensino
Enviado em: 23/07/2012 17h24min

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